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Avançando no Diagnóstico do Mastocitoma Canino: A Importância da Imuno-histoquímica para um Prognóstico Preciso

Lands Dev
Tempo de leitura: 5 minutos
Atualizado 13/12/2024

O diagnóstico histopatológico convencional, baseado na avaliação microscópica de lâminas coradas pela hematoxilina e eosina (H&E), é e sempre será a base para a identificação do mastocitoma canino. Através dele, o patologista confirma a presença dos mastócitos neoplásicos, avalia características morfológicas e estabelece o grau histológico de acordo com sistemas consagrados, como o de Patnaik ou Kiupel. No entanto, na oncologia veterinária moderna, esse diagnóstico inicial, embora essencial, é frequentemente considerado o ponto de partida, e não o ponto final, da investigação. É aqui que a imuno-histoquímica (IHQ) surge como uma ferramenta complementar, adicionando camadas cruciais de informação prognóstica que transcendem a mera aparência das células, permitindo uma conduta clínica personalizada.

A grande variabilidade no comportamento biológico do mastocitoma, que pode variar desde tumores que podem regredir espontaneamente até outros com comportamento agressivo e metastático, é o principal motivador para a busca por marcadores mais precisos. O grau histológico, apesar de sua utilidade, pode apresentar limitações, especialmente em tumores de grau intermediário, onde o comportamento clínico é imprevisível. A imuno-histoquímica vem preencher essa lacuna ao detectar e quantificar proteínas específicas no interior das células tumorais que estão diretamente correlacionadas com seu potencial de agressividade. Dois marcadores destacam-se como pilares da avaliação prognóstica complementar: o Kit ou CD117, e o Ki-67.

A avaliação do padrão de imunomarcação para o Kit é talvez um dos avanços mais significativos. Este marcador identifica o receptor de fator de crescimento presente na superfície dos mastócitos. Estudos demonstram que o padrão de distribuição desse receptor dentro do tumor (Padrão I, II ou III) possui uma forte correlação com o comportamento biológico. Tumores com um padrão citoplasmático difuso ou focal ou difuso (Padrão II e III, respectivamente) estão consistentemente associados a um pior prognóstico, maior potencial metastático e menor sobrevida global, independentemente do grau histológico. Esta informação é vital, pois pode identificar subgrupos de tumores de grau II de Patnaik, por exemplo, que se beneficiariam de tratamentos mais agressivos, como cirurgia mais ampla, radioterapia ou quimioterapia adjuvante.

Paralelamente, o marcador Ki-67 oferece uma medida objetiva da atividade proliferativa do tumor. Através da IHQ, é possível calcular o índice proliferativo, que é a porcentagem de células tumorais que estão se replicando ativamente. Um índice de Ki-67 elevado é um forte indicador de um tumor biologicamente agressivo, com maior tendência à recidiva local e à metástase. A combinação da avaliação do grau histológico com o índice de Ki-67 aumenta significativamente a acurácia na previsão do desfecho clínico, fornecendo ao médico veterinário um panorama muito mais confiável sobre a velocidade de progressão da doença.

Além desses, a avaliação do Fator de Crescimento Endotelial Vascular (VEGF) por IHQ tem ganhado atenção como um marcador prognóstico adicional. A expressão do VEGF está diretamente ligada ao processo de angiogênese, que é a formação de novos vasos sanguíneos para nutrir o tumor. Mastocitomas com alta expressão de VEGF estão associados a uma maior densidade vascular intratumoral, o que pode facilitar não apenas o crescimento local do tumor, mas também sua capacidade de disseminação metastática. Além disso, o VEGF entra no grupo dos receptores de Tirosina-quinase, um grupo de moléculas que tem se mostrado alvo terapêutico importante nos últimos anos.

Portanto, complementar o laudo histopatológico tradicional com a análise imuno-histoquímica de marcadores prognósticos não é um luxo, mas sim uma evolução necessária no manejo do paciente oncológico. Esta abordagem integrada transforma o diagnóstico de um simples relatório descritivo em um guia de tomada de decisão. Ela permite estratificar os pacientes com maior precisão, selecionar a terapia mais adequada para cada caso específico, oferecer um prognóstico mais realista aos tutores e, em última análise, melhorar os desfechos clínicos, direcionando esforços terapêuticos onde eles são verdadeiramente necessários e evitando tratamentos excessivos em tumores com baixo potencial de malignidade. Investir nessa avaliação complementar é investir em medicina de precisão, garantindo o melhor cuidado possível para o paciente.

 

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